Considerações sobre o conceito do blog

O objeto primeiro deste blogue é conceituar a natureza da crise econômica, política e social em curso, através da análise do conteúdo intrínseco da negatividade da forma valor, relação social abstrata que se estabelece e se reproduz através da mercadoria e do dinheiro (mercadoria especial e equivalente geral), suas expressões materializadas, bem como a necessidade inadiável de sua superação como instrumento de emancipação humana e contenção dos crimes ecológicos contra a humanidade e o planeta Terra.

Recomendamos a leitura do artigo "Nascimento, vida e morte da forma valor" como forma
de entendimento do conceito do blogue.

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terça-feira, 19 de agosto de 2014

As Mutações do Poder

Na modernidade capitalista o verdadeiro poder é o econômico, traduzido no sistema produtor de mercadorias. Para o seu exercício se faz necessária uma estrutura que lhe seja serviçal, ou seja, necessita dos subsistemas de organização política, institucional, militar e social que são os instrumentos de sua negativa existência. As suas estruturas de acesso (a política) e de manutenção (o Estado), como subsistemas funcionais do poder econômico, trazem no seu cerne as características de sua inconfessada e injusta natureza. Não é por menos que os meios de acesso ao poder, a política (guerra legal de movimento), são costumeiramente escusos, e os meios de manutenção do exercício do poder institucional do Estado (guerra legal de posição) costumam ser ainda mais escusos. Alguém já disse que “o poder capitalista corrompe, e o exercício prolongado do poder corrompe muito mais”. Nesse sentido o poeta e escritor português Eça de Queiroz disse certa vez que “os políticos e as fraldas devem ser trocados constantemente, e pelos mesmos motivos”, mas mais do que trocados eles devem ser superados como forma de extirpação do já decrépito poder econômico.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O Mal é Sempre Mau

Há um adágio popular que diz “há males que vêm para o bem”. Apenas episodicamente isso pode ocorrer, mas nunca de maneira socialmente abrangente e permanente. Um enguiço na estrada pode evitar um desastre que ocorreria acaso a viagem não tivesse sido paralisada, mas isso não significa que um enguiço seja coisa boa. Tal conceito contrasta com a idéia de que “o pau que nasce torto morre torto”, porque esta última é uma metáfora que diz respeito à imutabilidade da natureza intrínseca do que é negativo. Podemos superar a negatividade, transcendê-la, mas não podemos aceitá-la como algo que possa ser uma contribuição positiva.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Recrudescimento do Arcaico

Na antiguidade, e até em tempos não tão antigos assim se considerarmos os milhões de anos da evolução humana sobre a face da terra, o sacrifício de vidas animais como forma de purgação de uma culpa auto-atribuída era prática comum. Tais rituais macabros dentro das sociedades primitivas que desconheciam a troca quantificada (a forma-valor), ou mesmo nas sociedades que se iniciavam em relações de troca que se configurariam como pré-capitalistas, ocorriam de forma simbólica, e por motivações meramente exotéricas.

domingo, 25 de maio de 2014

O Trabalho e o Trabalhador

Costuma-se considerar, equivocadamente, que o trabalho e o trabalhador são dados essenciais para a vida social e individual humanas. Tal concepção deriva do fato de que ao longo dos últimos cinco séculos, tanto capitalistas liberais de mercado como capitalistas de estado, os marxistas tradicionais, esses mais recentemente, endeusaram o trabalho e o trabalhador como tais. Assim é que se estabeleceu uma intencional confusão semântica e de conteúdo sobre o que seja a interação metabólica do homem com a natureza (Marx), ou seja, o dispêndio de nervos, músculos e cérebros no sentido da provisão do seu sustento individual e coletivo através da produção de bens e serviços indispensáveis à vida, com categorias capitalistas que dão sustentação ao modo de relação social que se consubstancia na produção de mercadorias (a forma-valor). 

A Ditadura do Tempo

Tempo é dinheiro. Essa frase mundialmente conhecida corresponde a uma verdade, mas somente sob a relação social mediada pelo dinheiro, que tem na questão do uso do tempo linear, aquele medido em segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos, uma interferência negativa, direta e significativa no modo de ser da própria vida dos indivíduos sociais. Essa é mais uma negatividade do capitalismo ao invés de ser um aspecto positivo como se costuma pensar.

 

A “Síndrome de Tucunaré”

O tucunaré é um peixe de água doce que tem um apetite voraz. Quando introduzido em açude cresce com rapidez em relação às outras espécies, mas devora as demais até que na falta destas chega a devorar os alevinos de sua própria espécie. Assim, necessita de cada vez mais alimentos para continuar crescendo, e na falta destes entra em colapso existencial.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A disputa pela (e na) Ucrânia

As guerras internacionais e civis derivam das disputas pela hegemonia política e econômica entre países, e nos países, e têm sido a tônica do desenvolvimento do capitalismo cujos sintomas mais expressivos começaram a se fazer sentir a partir do século XVI d. C. Elas vêm desde o descobrimento das Américas na dominação Bretanha no norte; espanhola no centro e na sul-américa; e portuguesa no leste-sul do continente.

domingo, 15 de setembro de 2013

A Crise no Topo

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Joaquim Barbosa, em palestra proferida em uma universidade, afirmou que “os partidos políticos no Brasil são de mentirinha, não têm consistência programática e ideológica, buscando o poder pelo poder”. Afirmou, ainda, que “o Poder legislativo é completamente submisso ao Poder executivo”. Tal afirmação mexeu com os brios da tradicionalmente poderosa elite política brasileira, que reagiu afirmando que “esse tipo de opinião não contribui para o aperfeiçoamento democrático; fortalecimento das instituições e bom relacionamento e harmonia entre os poderes instituídos do Estado”. Tal crise no topo merece uma reflexão mais profunda, sem os tradicionais clichês.




segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sobre as manifestações no Brasil


Li, recentemente, um texto “de esquerda”, conforme ali frisado, sobre uma possível orquestração golpista de direita por trás das manifestações, que estaria incentivando a prática de determinados atos. Não concordo com tal raciocínio. É evidente que há equívocos nesse movimento, e eles se devem ao incipiente nível de consciência dos manifestantes, jovens na sua grande maioria, que desconhecem a natureza e a essência da crise de que são vítimas. Tal fato não deslustra a grandeza do significado das manifestações, que se trata de uma explosão de insatisfação popular contra tudo e contra todos.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Conceito Republicano de Democracia


Há palavras que se transformam semanticamente ao longo do tempo e passam a ter um significado mais genérico, conceitual, como se fora verdade imutável ou preceito virtuoso que todos devem preservar. Isso acontece com os conceitos das palavras “república” e “democracia”. Costuma-se, atualmente, referir-se a “republicano” como se fora um comportamento institucional indiscutivelmente apropriado para a vida social; e à “democracia” como sendo um ideal de comportamento em defesa do povo, e mais que isso, nascido do próprio povo. Na verdade, tanto os conceitos de “democracia” como de “república” nasceram em momentos históricos distintos, e dentro de determinados paradigmas sociais que os formataram e os positivaram. Ser republicano e democrata passou a significar inquestionável (mas enganoso) exemplo de correção; isenção; legitimidade e obediência representativa do interesse do povo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O efeito liquidificador

Já dizia um criativo escritor e dramaturgo brasileiro que “toda unanimidade é burra”. Nunca uma frase encerrou tanta verdade como agora, quando o mundo todo vive sob a égide de um modelo social decadente, que busca no desenvolvimento de sua própria lógica, causa da decadência, a solução para a própria decadência. Os políticos de direita, de centro (????) e de esquerda (????), disputam entre si, a glória de convencer o eleitorado de que suas propostas são as mais eficientes para o desenvolvimento econômico, como forma única de promoção do bem-estar social, e tudo isso dentro de um comportamento que se presume como ecologicamente sustentável. Ninguém ousa questionar o modelo, como servos inconscientes (ou conscientes) da negatividade capitalista, tudo dentro da obediência cega ao insano fetichismo da mercadoria. Segue essa procissão de alegorias do terror conduzida pelos políticos, prepostos do capitalismo, os sindicalistas, os partidos políticos, as instituições do Estado, as associações de classe, as associações de moradores de bairros, as instituições religiosas, os desportistas, as academias. Todos enfim...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A ditadura da comunicação

Tão lamentável quanto o controle dos ditadores sobre os órgãos de imprensa, comum em regimes fechados, onde a “verdade” emana da “sábia” vontade governamental, é a forma parcial sob a qual atuam os órgãos de comunicação dos regimes liberais capitalistas.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Os Bric’s

O capitalismo se caracteriza como uma relação social negativa, destrutiva e autodestrutiva, fundada na subtração segregacionista da riqueza abstrata produzida pelo trabalho abstrato e operada pela extração de mais valia nessa sua categoria primária. Vive, agora, a era da sua implosão interna irreversível causada pelo limite de sua capacidade de expansão e pela guerra na concorrência globalizada da produção de mercadorias, que ao mesmo tempo em que promove a dessubstancialização da forma-valor (queda do seu volume), provoca um deslocamento geográfico nunca antes havido na produção de riqueza abstrata, e que se evidencia como o mais novo fenômeno dessa relação social one world.

domingo, 11 de abril de 2010

À esquerda, do quê?

O conceito de esquerda nasceu no parlamento francês, quando os oposicionistas ao sistema monárquico na Assembléia Nacional Constituinte de 1789, sentavam-se do lado esquerdo em relação à mesa diretora. A oposição, assim posicionada, tinha postura anticonservadora, dita progressista, que passou a configurar o amplo espectro de forças políticas denominadas de “esquerdas”. 

domingo, 7 de fevereiro de 2010

A China capitalista (Parte I)


Quem diria que 60 anos após a tomada do poder pelos comunistas chineses liderados por Mao Tse Tung, tornando-se o maior país comunista do mundo em população, como pretensa antítese do modelo capitalista, a China se tornaria o maior exportador de mercadorias do mundo, e se inseriria entre as maiores economias capitalistas do mundo? O modelo marxista-leninista chinês se transformou no seu aparente oposto, ou seja, num país capitalista que faz estragos no capitalismo ao adotar a lógica capitalista mais exacerbada, com mão-de-obra de baixo salário e uso de alta tecnologia. A China, do mesmo modo que todos os países que fizeram a “revolução comunista” e implantaram o modelo estatizante de propriedade dos meios de produção, não abandou a primeira condição capitalista, que é a produção de mercadoria, e tiveram que, posteriormente, franquear a sua produção privada.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A negatividade do trabalho abstrato, uma categoria capitalista


Se um ser humano megalomaníaco e desejoso por acumular dinheiro em proporções inimagináveis, obtivesse uma vara de condão capaz de produzir, incontinenti, mercadorias quaisquer para transformá-las em dinheiro e, assim, as produzisse, ele terminaria por ficar sem dinheiro algum, porque o valor, ou seja, a riqueza abstrata assim constituída, dessubstancializar-se-ia de tal modo, que todo o seu sonho de riqueza abstrata viraria abóbora. Por que isso aconteceria? A resposta a essa pergunta explica todo o momento de crise político/econômica e sócio/ecológica do mundo mercantil da atualidade. O sonho do nosso megalomaníaco seria desfeito justamente porque o trabalho abstrato, substância da forma valor, teria desaparecido do processo de produção, e assim, o próprio valor desapareceria no ar tal qual fumaça na amplidão do universo (efeito estufa a parte). A vara de condão da modernidade é o processo de produção tecnológico de ponta que dispensa o trabalho abstrato substancialmente. O capitalismo (forma-valor desenvolvida) nasce concomitantemente à disseminação do trabalho abstrato e se decompõe com o seu desuso.