O valor é uma forma de relação social com representação numérica abstrata que serve como instrumento de mediação social representativa de um quantitativo de unidades de horas de trabalho abstrato; a moeda é (ou deve ser) a representação numérica do valor (quando não é, trata-se de mero título de crédito embasado na confiança creditícia do seu emitente); a mercadoria (com valor de uso e de troca) é o quantitativo de moeda que o mercado lhe atribui, que pode estar ou não consentâneo com o valor, uma vez que pode estar acima ou abaixo do seu valor intrínseco, ou até sem valor nenhum, dependendo da lei da oferta e da procura dessa mesma mercadoria no mercado; preço é o quantitativo de moeda que o mercado atribui à mercadoria. É graças a isso que uma mercadoria não absorvida pelo mercado pode perder o seu valor original até ser reduzido a zero. Preço, que é circunstância de mercado representado por uma moeda, é diferente de valor, embora possa ser circunstancialmente a ele correspondente. Assim, podemos concluir que o valor é o gênero do qual o trabalho abstrato, a mercadoria, a moeda e o preço, são espécies que lhe dão vida na base de sua formação (constituição intrínseca) e nas suas relações no mundo econômico (constituição extrínseca). O trabalho abstrato (num conceito mais didático) por sua vez, é assim denominado por ter, concomitantemente, uma natureza concreta (o objeto-mercadoria por ele produzido) e outra natureza abstrata correspondente ao valor a ele atribuído (abstração numérica); e é o critério definidor do quantitativo de valor de uma mercadoria por ele produzida. Dissemos que o conceito acima exposto de trabalho abstrato é apenas didático porque há quem considere (Robert Kurz), num conceito mais apurado, que o trabalho abstrato é totalmente abstrato, porque se desprende do objeto por ele produzido (algo concreto), tornando-se uma mera mercadoria fonte de produção de valor.
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domingo, 22 de fevereiro de 2015
Resumo sucinto sobre a natureza da crise atual (dessubtancialização do valor; do dinheiro; das mercadorias; e da redução da massa global de valor e de mais-valia)
domingo, 7 de abril de 2013
Relação entre Capital e Trabalho
Costuma-se confundir a relação metabólica do homem com a natureza, no sentido de prover o seu sustento material através do dispêndio de nervos e músculos, atividade eterna, ontológica, com o trabalho abstrato, categoria capitalista, histórica, não ontológica (Marx). O trabalho abstrato, aquele que produz mercadorias, e que é remunerado pela mercadoria dinheiro, é a substância primária da relação social forma-valor, e em assim sendo, não pode significar uma contradição inconciliável com o valor acumulado, o capital. A humanidade, ao introduzir nas suas relações sociais a troca quantificada, onde um determinado objeto é trocado por outro de qualidade e quantidade diferenciada, e abolir a partilha praticada nas sociedades primitivas (como ainda hoje existe entre remotas tribos indígenas), criou, instantaneamente, a ideia de valor, mensuração abstrata da riqueza material.
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