Pensar em uma produção de bens e serviços necessários à satisfação do consumo humano fora da remuneração em dinheiro é algo quase impossível; mais do que isso, é impensável. Tal ocorre porque durante três milênios, período em que surgiu o escambo, a troca quantificada, modo de relação social que surgiu em substituição à partilha, embrião da forma-valor, a idéia de mensuração dos objetos úteis ao consumo humano através de um quantitativo numérico denominado valor de troca foi paulatinamente tomando conta de todas as relações sociais até chegar a sua forma desenvolvida denominada capitalismo.
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sexta-feira, 30 de maio de 2014
quinta-feira, 29 de maio de 2014
O Mal é Sempre Mau
Há um adágio popular que diz “há males que vêm para o bem”. Apenas episodicamente isso pode ocorrer, mas nunca de maneira socialmente abrangente e permanente. Um enguiço na estrada pode evitar um desastre que ocorreria acaso a viagem não tivesse sido paralisada, mas isso não significa que um enguiço seja coisa boa. Tal conceito contrasta com a idéia de que “o pau que nasce torto morre torto”, porque esta última é uma metáfora que diz respeito à imutabilidade da natureza intrínseca do que é negativo. Podemos superar a negatividade, transcendê-la, mas não podemos aceitá-la como algo que possa ser uma contribuição positiva.
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segunda-feira, 26 de maio de 2014
O Recrudescimento do Arcaico
Na antiguidade, e até em tempos não tão antigos assim se considerarmos os milhões de anos da evolução humana sobre a face da terra, o sacrifício de vidas animais como forma de purgação de uma culpa auto-atribuída era prática comum. Tais rituais macabros dentro das sociedades primitivas que desconheciam a troca quantificada (a forma-valor), ou mesmo nas sociedades que se iniciavam em relações de troca que se configurariam como pré-capitalistas, ocorriam de forma simbólica, e por motivações meramente exotéricas.
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terça-feira, 17 de setembro de 2013
O Mito da Boa Gestão
O noticiário está repleto de denúncias sobre as péssimas condições dos serviços públicos em qualquer setor de incumbência governamental. Na área da saúde é comum a superlotação dos hospitais com macas nos corredores e gente morrendo ou fazendo partos de emergência na porta de entrada; na segurança pública o Estado perdeu a capacidade de julgar e prender, dado o elevado índice de criminalidade e a caríssima estrutura para o combate a esse fenômeno. E isso se acresce ao fato de que um preso é mais caro, hoje, do que um professor; na área da educação se observa um índice alarmante de desistências, que se soma a um baixo nível de aprendizado básico e técnico, com professores migrando para outras atividades graças aos baixos salários; e isso só para ficarmos na análise dos três principais serviços públicos, que são: saúde, segurança pública e educação. Se ampliarmos o leque para outros setores a situação é ainda pior.
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
A crise e o conceito da forma-valor
A forma-valor é uma abstração capaz de mensurar qualidades e quantidades de diferentes objetos na troca avaliada, transformando-os em mercadorias, e tendo como substância constitutiva e critério de avaliação (valoração) o quantum de trabalho abstrato aplicado na produção dessas mercadorias, e que se traduz como uma relação social baseada num princípio cumulativo de riqueza abstrata geradora de segregação social em face de sua necessária reprodução continuamente aumentada, ad infinitum, através da extração de mais-valia geradora do lucro.
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terça-feira, 18 de maio de 2010
As chamas de Atenas
Há cerca de 2.700 anos, apesar das críticas de filósofos como Sócrates, surgia, na Grécia antiga, a primeira manifestação do dinheiro como expressão materializada da relação social abstrata da forma-valor, como modo de viabilização das trocas quantificadas e valoradas de objetos entre as muitas ilhas gregas. O dinheiro foi uma conseqüência inevitável do surgimento da forma valor, abstração que consegue gerar uma unidade numérica capaz de mensurar qualidades e quantidades de diferentes produtos na troca, tendo como critério de mensuração o tempo de trabalho abstrato aplicado na fabricação desses mesmos produtos, assim, transformados em mercadorias.
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quarta-feira, 5 de maio de 2010
Política e poder
Costuma-se considerar que todas as ações humanas em sociedade são atos políticos e, consequentemente, algo tão natural e indispensável como o ato de respirar. Dentro desse critério genérico a participação nos canais políticos institucionais e a insurgência contra a má qualidade desses canais, visando as suas melhorias, tornam-se, equivocadamente, como condições únicas e indispensáveis à vida social. Assim, o analfabeto político é considerado o maior dos ignorantes e uma espécie de pária social. Na verdade, não é bem assim que se devem considerar aqueles que têm repulsa ao exercício da política e ao seu significado.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Os Bric’s
O capitalismo se caracteriza como uma relação social negativa, destrutiva e autodestrutiva, fundada na subtração segregacionista da riqueza abstrata produzida pelo trabalho abstrato e operada pela extração de mais valia nessa sua categoria primária. Vive, agora, a era da sua implosão interna irreversível causada pelo limite de sua capacidade de expansão e pela guerra na concorrência globalizada da produção de mercadorias, que ao mesmo tempo em que promove a dessubstancialização da forma-valor (queda do seu volume), provoca um deslocamento geográfico nunca antes havido na produção de riqueza abstrata, e que se evidencia como o mais novo fenômeno dessa relação social one world.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
A negatividade do trabalho abstrato, uma categoria capitalista
Se um ser humano megalomaníaco e desejoso por acumular dinheiro em proporções inimagináveis, obtivesse uma vara de condão capaz de produzir, incontinenti, mercadorias quaisquer para transformá-las em dinheiro e, assim, as produzisse, ele terminaria por ficar sem dinheiro algum, porque o valor, ou seja, a riqueza abstrata assim constituída, dessubstancializar-se-ia de tal modo, que todo o seu sonho de riqueza abstrata viraria abóbora. Por que isso aconteceria? A resposta a essa pergunta explica todo o momento de crise político/econômica e sócio/ecológica do mundo mercantil da atualidade. O sonho do nosso megalomaníaco seria desfeito justamente porque o trabalho abstrato, substância da forma valor, teria desaparecido do processo de produção, e assim, o próprio valor desapareceria no ar tal qual fumaça na amplidão do universo (efeito estufa a parte). A vara de condão da modernidade é o processo de produção tecnológico de ponta que dispensa o trabalho abstrato substancialmente. O capitalismo (forma-valor desenvolvida) nasce concomitantemente à disseminação do trabalho abstrato e se decompõe com o seu desuso.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
O valor é acumulação subtrativa que não admite justa distribuição
O valor é um dragão insaciável em crescimento constante que precisa ser alimentado cada vez mais com mais alimentos, sacrificando os seus submissos, temerosos e desesperados súditos, que assim se privam dos próprios alimentos para mantê-lo vivo até o limite final de um ou dos outros. Estamos, agora, chegando ao limite máximo da capacidade de alimentação desse dragão, o que nos coloca diante do seguinte dilema: ou acabamos com ele ou ele acaba conosco.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A crise ecológica mundial e sua conexão com a agressão ao “Parque do Cocó” em Fortaleza
Vista da cidade de Fortaleza a partir do Parque do Cocó (fonte: wikipedia)
A cidade de Fortaleza se situa no entorno do "Parque do Rio Cocó", que ao chegar às proximidades de sua foz se alastra e se constitui num complexo de mangues próprios à manutenção de um ecossistema biológico importante para o equilíbrio natural da cidade. Trata-se de um dos mais importantes sistemas ecológicos urbanos, e isso situado numa cidade de cerca de 2,4 milhões de habitantes, figurante entre as maiores capitais do país. Tal condição não ficaria imune às agressões ao meio ambiente próprias a uma sociedade que considera a terra uma mercadoria e os cursos d'água como escoadouro barato de dejetos humanos e industriais, e onde tudo é mensurado por um quantitativo de valor e destinado a sua reprodução contínua. Assim, além das já conhecidas agressões poluentes que tornam as águas do rio e do mangue do Parque do Cocó impróprias para o consumo humano, e até mesmo para a pesca e outras atividades extrativas da piscicultura, desde há muito, e agora mais intensamente, avançam construções de imóveis sobre as suas margens, numa corrida autofágica provocada pela especulação imobiliária e pela avidez de lucros do setor da construção civil.
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Nascimento, vida e morte da forma valor
A forma valor nasceu entre os seres humanos de forma quase imperceptível, na passagem das sociedades primitivas onde preponderava a partilha igualitária dos bens de consumo produzidos entre os membros da comunidade para o estágio mais recente das civilizações antigas, com a civilização política grega à frente, há cerca de 700 anos a.C. O móvel que esteve na base do comportamento capaz de gerar a forma valor consistiu na percepção por alguns dos indivíduos sociais de que por suas maiores habilitações e determinações para o esforço físico, obtinham maior produtividade na atividade a que se propunham em relação aos demais, e entenderam, por um sentimento mesquinho e individualista, que deveriam se beneficiar pessoalmente, via acumulação privada, desse melhor desempenho. Assim, graças a esse sentimento individualista e segregacionista, os mais bem dotados resolveram acumular para si o resultado da produção como forma de barganha, pela troca, em detrimento do interesse da coletividade. Apareceu, aí, o nefasto conceito da troca quantificada, que a muitos parece um natural benefício que viabiliza a satisfação das necessidades humanas, mas que é o vírus através do qual se inocula e desenvolve a negatividade intrínseca da forma valor.
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