Qual o ponto de unidade entre o sofrimento dos trabalhadores urbanos que não conseguem se deslocar ou chegar ao trabalho no horário marcado em razão da greve dos trabalhadores nas empresas de ônibus com a morte dos passageiros do avião da Malaysia Airlines que morreram vítimas de um míssil disparado pelos separatistas ucranianos apoiados pela Rússia? O dinheiro. O sindicato grevista pugna por melhores salários (dinheiro) para os seus sindicalizados, e os separatistas ucranianos avaliam que é melhor integrarem o país russo por questões econômicas (dinheiro), antes de qualquer outra motivação de natureza étnica.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
O legal, o justo e o arbitrário
Os conceitos sobre o legal e o justo costumam ser considerados pelo poder, erroneamente e infelizmente, como se fossem simétricos, ou seja, o que é legal é sempre tido como justo aos olhos da institucionalidade. Por seu turno a arbitrariedade é o que está juridicamente fora do legal, embora para muitos que raciocinam em termos de interesse pessoal ou ideológico de poder possa ser tida como critério de anteparo contra presumíveis ou hipotéticas injustiças. A maldosa e premeditada confusão histórica sobre tais conceitos e a sua aplicação prática tem causado opressão, desigualdades sociais, guerras e tantos outros infortúnios no miserável itinerário histórico da humanidade. Daí há uma necessidade de se conhecer a essência filosófica e não apenas popularmente semântica de cada um desses conceitos como forma de nos posicionarmos criticamente e podermos contribuir para uma sociedade emancipada.
O fetiche da taça
A homenagem prestada pelos jogadores da seleção de futebol alemã aos índios pataxós logo após a conquista do campeonato mundial de futebol de 2104 tem um relevante grau de simbolismo. A cena dos jogadores dançando num rito tribal em torno da taça colocada no centro de uma roda representa a adoração ao objeto da conquista desportiva – a taça do mundo. O simbolismo do brilho do ouro contido no troféu se mistura ao culto do significado subjetivo da conquista, tanto do ponto de vista da capacidade desportiva alemã, como também, e principalmente, com os resultados políticos e financeiros que advêm de uma conquista como essa. Pode-se fazer uma analogia daquela cena em torno do troféu com o culto fetichista que se faz normalmente ao móvel da sociedade “moderna” – a produção de mercadorias. Os valores econômico-financeiros que envolvem o futebol, atividade esportiva mais popular do mundo, ascendem a bilhões de reais em ganhos diretos e em merchandising, e certamente isso tem um significado expressivo numa sociedade que necessita cada vez mais de criar artifícios que impulsionem o decadente mundo mercantil.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
A letra dos hinos
Na copa do mundo de futebol de 2014 que se realizou no Brasil tivemos oportunidade de conhecer as letras dos hinos dos muitos países que dela participam. O que chama a atenção é o conteúdo belicoso de tais letras, nas quais estão inseridas palavras como guerra, morte, sangue, defesa, etc. Tal vocabulário decorre de um fato inconteste: os países se formaram dentro de uma disputa territorial ou colonial na qual o vencedor geralmente obtinha a vantagem sobre os vencidos, e as independências nacionais foram obtidas em lutas que não significaram a abolição do caráter belicista de cada país independente. No momento em que escrevemos esse artigo explode mais uma vez o conflito entre judeus e palestinos com chuvas de mísseis de lado a lado; na Ucrânia se desenrola um conflito separatista; na África, no Iraque, e em vários pontos do mundo árabe grupos políticos religiosos e étnicos se digladiam entre si pelo poder territorial nacional, e a lista de conflitos seria intensa se aqui nós citássemos todas elas.
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quarta-feira, 2 de julho de 2014
Comentário sobre um comentário
Comentário sobre um vídeo-comentário no youtube do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Junior intitulado “Manifestante, você está sendo manipulado!”
segunda-feira, 2 de junho de 2014
A Produção Solidária
Quando se admite (depois de muito esforço do pensar) que é possível produzir bens e serviços fora da intermediação feita pelo dinheiro, a primeira pergunta que se faz é: como alguém teria motivação para produzir algo a ser consumido por outrem sem ganhar dinheiro? Primeiramente se deve observar que essa indagação é fruto de um conceito sedimentado nas mentes humanas de que o ser humano somente produz algo dentro de um interesse individual e sem jamais pensar no interesse coletivo. O conceito de que o interesse individual de ganhar dinheiro é o único instrumento de motivação para a produção somente é verdadeiro dentro da forma de relação social estabelecida a partir da produção de mercadorias, na qual se oportuniza a acumulação individual da riqueza abstrata em detrimento de toda a sociedade; a humanidade tem sido educada dentro desse conceito e justamente por isso não consegue pensar solidariamente.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
É Possível Se Produzir Sem Dinheiro?
Pensar em uma produção de bens e serviços necessários à satisfação do consumo humano fora da remuneração em dinheiro é algo quase impossível; mais do que isso, é impensável. Tal ocorre porque durante três milênios, período em que surgiu o escambo, a troca quantificada, modo de relação social que surgiu em substituição à partilha, embrião da forma-valor, a idéia de mensuração dos objetos úteis ao consumo humano através de um quantitativo numérico denominado valor de troca foi paulatinamente tomando conta de todas as relações sociais até chegar a sua forma desenvolvida denominada capitalismo.
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